Edição de tiragem reduzida com obras finalizadas manualmente pelo artista por meio de técnicas mistas, com o uso de diferentes ferramentas ligadas à escrita de rua, pincéis de sumi-e e outras intervenções gestuais. Desse modo, cada exemplar se torna uma peça singular dentro da edição.
Esta obra integra a série Interno de Kadu Doy, a.k.a. Sosek, iniciada em 2014 e apresentada pela primeira vez na exposição individual homônima, inaugurada em 2016 no PICO Glicério, em São Paulo. Após a mostra, o artista deu continuidade à pesquisa para uma exposição na Galeria Urban Spree, em Berlim.
Esta publicação realizada pela Matte Galeria marca os dez anos da exposição e revisita uma seleção de trabalhos produzidos durante um período em que Sosek viveu e trabalhou no bairro do Glicério, no centro de São Paulo, após uma temporada de deslocamentos e vida itinerante.
A série nasce da relação do artista com o território e com as pessoas em situação de rua que habitavam a região. Acostumado a pintar pelas ruas do centro da cidade, Sosek já convivia diretamente com essas pessoas e, ao aprofundar-se na produção das obras, porém, seu olhar se transformou.
O retrato deixou de ser apenas uma observação do outro e passou a funcionar como espelho. Por esse motivo, muitas das obras recebem o título Autorretrato. Durante o processo, o artista reconheceu naquelas figuras não apenas personagens externos, mas uma espécie de reflexo interior.
Originalmente composta por cerca de 25 obras, Interno também se desenvolveu a partir do diálogo com as fotografias de Mouco Fya. O fotógrafo já possuía um amplo arquivo de imagens da região e produziu também alguns retratos especialmente para que fossem reinterpretados por Sosek. A proximidade entre os dois vinha ainda das ruas: ambos compartilhavam a prática da escrita urbana e saíam juntos para escrever durante a noite.
Para a construção das imagens, o artista utiliza o squeezer, também conhecido como mop, ferramenta associada à escrita urbana e à produção de tags. Seu corpo flexível permite controlar o fluxo da tinta e produzir traços rápidos, soltos e escorridos.
Em comparação ao pincel, o squeezer oferece menor controle e maior abertura ao acaso. A ferramenta incorpora ao trabalho o risco, o gesto e a imprevisibilidade próprios da rua, aproximando o desenho da escrita e preservando, no espaço expositivo, a energia de uma ação realizada no ambiente urbano.